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Psicoterapia Humanista, Transpessoal e Integral

A psicologia Humanista ou Movimento do Potencial de Desenvolvimento Humano inicia o processo de saída do paradigma Newtoniano/carteziano da dualidade para chegar ao paradigma da totalidade (sistêmico ou holístico), estudando o potencial de desenvolvimento e bem estar a que o ser humano é capaz de chegar. Valoriza aspectos saudáveis como a auto realização, autenticidade, espontaneidade, criatividade, awarness (dar-se conta de si mesmo) e singularidade. Para além da classificação em patologias e da compreensão do comportamento como gerado apenas por condicionamentos, cada ser humano é percebido em sua singularidade.

  • Do paradigma da dualidade = Newtoniano/cartesiano → predomínio do racional (logos): cientificismo, fragmentar e transformar em fórmulas matemáticas para conhecer e dominar a natureza. Noção de espaço e tempo absolutos, descrição objetiva da natureza. Corpo como máquina e tratamento dos sintomas e dos órgãos doentes como se fossem peças a serem ajustadas. Classificação do ser humano em doenças e patologias
  • Para o paradigma da totalidade = sistêmico ou holístico → intuitivo e integrativo (holos): universo como um todo indivisível, interligado e interdependente, cujas propriedades não podem ser reduzidas às de suas partes. Rede de relações dinâmicas que incluem o observador humano e sua consciência (não existe neutralidade e o observador interfere no fenômeno observado). Corpo humano como parte de um todo que precisa ser compreendido: células, tecidos, órgãos, sistemas, corpo, indivíduo, grupo, cultura, sociedade, ecossistema, planeta. Doenças só podem ser compreendidas analisando essa totalidade.

Abraham Maslow (1968, p. 105), psicólogo humanista, descreveu em seus estudos aquilo que chamou de experiências de pico ou culminantes, eventos intrínsecos ao ser humano que alteram padrões de percepção, "podendo ampliar a própria identidade a outras esferas da vida, da natureza ou divindade". Essas experiências trazem novo sentido para a vida, "tendem a deixar uma marca no indivíduo, provocando transformações no psiquismo, mudando-o para melhor" (idem, p.103) e dão sentimento de relevância à própria existência. Na experiência de pico há transcendência do ego, percepção do universo como todo integrado e harmonioso, com aceitação do mal, não julgamento, auto perdão, desapego, ausência de desejo ou de necessidades egoísticas e aumento da amorosidade.

Ao descrever as experiências de pico, Maslow acrescenta mais um degrau à sua pirâmide de necessidades humanas, a auto-transcendência, e funda em 1968 junto a Victor Frankl, Stanislav Grof, Antony Sutich e James Fadiman, a psicologia transpessoal.

Pirâmide de Maslow

Transcendência: necessidade humana de superação das próprias barreiras do ego, por um sentimento de ligação e conexão com o todo, de autosuperação e contato com o sagrado

Auto-realização: realização dos próprios potenciais, criatividade, espontaneidade

Estima: Auto-estima, confiança, respeito

Amor e Pertencimento: Amizade, família, intimidade

Segurança: Segurança do corpo, do emprego, de recursos, da saúde, da família

Necessidades Biològicas e fisiológicas: Respiração, comida, água, sexo, sono, homeostase, excressão

Trans = ir além

Transpessoal = o que vai além do eu

Influências na Transpessoal: Jung, Filosofias orientais, Física moderna e a teoria da relatividade, Neurociências, Estudos realizados com substâncias psicoativas.

A Psicologia Transpessoal estuda os estados de consciência, que podem ser separados em cinco: o estado de vigília (indivíduo acordado); sonho; sono profundo; consciência de despertar (saída do automatismo para desenvolvimento de percepção mais ampla da própria existência); e estado de consciência cósmica ou plena consciência (vivência do sagrado e de inseparabilidade entre todas as coisas).

Este último estado de consciência é descrito como sendo acompanhado pelo fim do sofrimento psicológico, com despertar de profunda sabedoria, que envolve o amor, a capacidade de cura e de alivio do sofrimento alheio. Essas mudanças no comportamento humano, além de qualitativas, são também quantitativas e mensuráveis através de alterações no eletroencefalograma; em padrões circulatórios, respiratórios e eletrocutâneos (Saldanha, 2008).

A postura do terapeuta, dando continuidade aos preceitos humanistas de Rogers (1961), é a de facilitador do processo de busca do atendido por uma existência autêntica com auto consciência, espontaneidade, bem estar e congruência, através do vínculo positivo, do acolhimento empático e da aceitação incondicional, utilizando como recursos, além das conversas, a meditação guiada, a visualização ativa e a realização de mandalas terapêuticas, conforme a demanda do atendido.

A Transpesssoal e a Integral são respectivamente a quarta e a quinta força em psicologia, depois do behaviorismo, da psicanálise e do humanismo.

A Psicologia Integral é um desdobramento da Psicologia Transpessoal, fundada por Ken Wilber em 1998. Wilber criou o Integral Institute e publicou livros como "Espectro da Consciência", "Projeto Atman", "Uma Teoria de Tudo", “Transformações da Consciência” e "Consciência Cósmica", entre outros.

A teoria integral criada por Wilber traz um mapa para a compreensão do ser humano organizado em 5 fatores essenciais: estados, níveis, linhas, tipos e quadrantes.

  1. Estados de consciência
  2. Estágios ou níveis de desenvolvimento
  3. Linhas de desenvolvimento (inteligências múltiplas): cognitiva, interpessoal, valores, emocional, estética, psicossexual, espiritual
  4. Tipos: ex masc. e fem.
  5. Quadrantes: eu (interior individual)/isto (exterior individual)/nós (interior coletivo)/istos (exterior coletivo)

A Psicologia Transpessoal e a Integral adotam a visão do ser humano como todo integrado, trazendo psicologia definitivamente o paradigma sistêmico e holístico.

 

Principais Autores:

  • HUMANISMO: Carl Rogers e Abraham Maslow; Kurt Lewin (teoria de campo); Moreno (psicodrama), Fritz Perls (Gestalt), Frankl (logoterapia); Husserl e Merleau Ponty (fenomenologia), Heidegger e Sartre (existencialismo)
  • TRANSPESSOAL: Pierre Weil, Stanislav Grof, Antony Sutich, James Fadiman; Roberto Assagioly (psicossíntese)
  • INTEGRAL: Ken Wilber